Programa AVES – Avaliação Externa de Escolas (AVES), criado em 2001, é uma iniciativa da Fundação Manuel Leão, pioneira em Portugal e que contou, na primeira hora, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian. Nasceu como um contributo para ligar, no terreno de cada escola, a identificação dos fatores que promovem (e impedem) a qualidade do seu desempenho com as acções e os projetos que se podem mobilizar em ordem à melhoria deste mesmo desempenho social. A convergência entre as duas dinâmicas, cremos nós, pode acelerar os processos que contribuem para melhorar a qualidade das escolas portuguesas.

Missão

A missão do Programa é contribuir para a melhoria da qualidade da educação com base em dados e análises rigorosas sobre a situação de cada escola / agrupamento e destina-se a:

i) facilitar os processos de autoavaliação da escola, com base nos dados recolhidos pelo AVES;
ii) apoiar os atores educativos (nomeadamente as lideranças das escolas) nos processos de melhoria da escola.

Objetivos

Os objetivos do Programa AVES sintetizam-se em quatro pontos:

1. verificar e analisar os resultados escolares dos alunos, tendo em conta as características da escola e o nível académico dos mesmos;
2. analisar e informar as escolas do “valor acrescentado” que produzem, com base nos resultados académicos dos alunos;
3. permitir que cada escola e cada professor analisem os resultados obtidos e os comparem com os de outras escolas de características similares, desenvolvendo uma cultura de autoavaliação e estimulando o uso dos resultados para a tomada de decisões;
4. colaborar na formulação e aplicação de uma estratégia de melhoria qualitativa do desempenho social das escolas.

Princípios orientadores

O Programa AVES orienta-se por princípios orientadores próprios, que consolidam a sua atuação numa lógica de valorização de dinâmicas de autoavaliação. Tais princípios são:

i. participação voluntária: a adesão ao Programa é fruto de uma decisão voluntária das escolas, que são chamadas a participar na especificação e na realização do Programa;
ii. formatividade: a função do Programa orienta-se pela preocupação de fornecer uma informação relevante e contextualizada que permita fomentar em cada escola a análise da situação da própria escola, a deteção dos principais problemas e o início ou prosseguimento das mudanças necessárias;
iii. longitudinalidade: o Programa desenvolve-se ao longo de vários anos para analisar e comprovar o “valor acrescentado” de cada escola e valorizar a incidência das mudanças realizadas;
iv. integração: a análise da realidade social de cada escola compreende não só a consideração de vetores relacionados com os resultados escolares dos alunos, como também dimensões relativas à opinião dos encarregados de educação, dos professores e dos assistentes operacionais, ao contexto sociocultural em que a escola está inserida, às práticas pedagógicas e à organização da instituição e às atitudes e valores dos alunos, bem como o clima de escola;
v. garantia de confidencialidade: as escolas participantes têm a garantia da não divulgação dos resultados da avaliação e desconhecem as organizações que integram a rede de avaliação;
vi. valor acrescentado de cada escola: o cálculo do valor acrescentado das escolas baseia-se numa análise comparativa entre as notas obtidas por cada aluno (mais ou menos discriminadas) à entrada do ciclo educacional em análise e as notas obtidas à saída desse mesmo ciclo educacional;
vii. articulação da avaliação interna e externa: a equipa externa elabora, aplica e processa os instrumentos de recolha da informação; a equipa interna analisa os resultados obtidos, interpreta e utiliza os resultados para desenvolver melhorias do desempenho escolar;
viii. organizações aprendentes: espera-se que as escolas que se auto e heteroavaliam reflitam sobre a informação recolhida, a comparem com outros resultados existentes, debatam os caminhos mais adequados de melhoria, os executem e os avaliem, tendo em vista corrigir as trajetórias e assegurar a qualidade da educação e aprendam a ser instituições educativas mais capazes e socialmente mais credíveis.

  Consulte o Referencial genérico.